terça-feira, 17 de maio de 2011

O USO DE MATERIAL ERÓTICO ENTRE EVANGÉLICOS


O uso de material erótico tem aumentado cada dia no meio evangélico. Homens e mulheres se valem das “novidades” do mercado do sexo para incrementar seus relacionamentos. Existem aqueles que defendem as inovações, como forma de aquecer a relação; e outros que condenam tal atitude, justificando que no amor conjugal ambos já são suficientes, e que nas regras de condutas cristãs tais atos seriam repugnáveis.

No geral, o que temos visto é o aumento no consumo destes materiais. Principalmente os mais jovens são influenciados pelas inovações e apelos sexuais. As mulheres têm sido alvo preferido dos comerciantes e publicitários. Algumas manchetes e artigos na mídia dão destaque à presença feminina nestes ambientes, como no artigo a seguir:

As mulheres representam 70% dos consumidores de sex shops espalhados pelo Brasil, setor que movimenta mais de R$700 milhões por ano. Os dados são da Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico e Sensual. "Aqui, o número é até maior. Noventa por cento dos nossos clientes são mulheres", garante Jucimara Bartel, proprietária da loja The Dreams, uma das mais antigas do ramo na cidade. Indiscutivelmente, são elas quem mais correm atrás dos sonhos eróticos. "No íntimo o que elas querem é agradar a pessoa que amam", define Jucimara.

A vontade de alcançar o prazer na cama é tanta que as noivas já se preocupam em montar o enxoval erótico. Até as mais pudicas das senhoras se rendem aos produtos que prometem apimentar a relação, ainda que somente em momentos especiais, como aniversários de casamento. "O tabu vem sendo quebrado. Em 1996, quando decidi abrir a loja, foi difícil até anunciar em lista telefônica. Hoje, os produtos eróticos ganham espaço até em salões de beleza, mesmo em cantinhos escondidos", compara Jucimara, que vem se dedicando a ampliação do negócio.

Uma das clientes mais assíduas da loja, Daiana Mascarenhas não tem vergonha de dizer que procura o sex shop pelo menos duas vezes por mês. "Desde criança tinha curiosidade. Quando comecei a ter relação, com 15 anos, minha mãe é quem comprava os produtos para mim. Sonhava em completar 18 anos para eu mesma poder comprar", confessa a universitária de 22 anos.

O item preferido de Daiana é a bolinha tailandesa, que a ajuda a exercitar a musculatura vaginal. "Faço 20 repetições de exercício todos os dias para me liberar mais nas relações. Gosto também do lubrificante oriental que esquenta. É muito bom!", elogia.

Em busca de mais prazer na relação sexual, as mulheres lançam mão dos mais diversos produtos e artigos: desde simples óleos de massagem, lubrificantes, géis térmicos, lingeries sensuais e fantasias, até os mais modernos vibradores.
[i]

Em posição oposta, Feuerstein (1995)[ii] declara que a revolução sexual da década de 60 nos fez perceber a miséria sexual em que nos encontrávamos, mas não conseguiu oferecer nenhum remédio convincente para ela. Alias, até agravou a nossa situação, encorajando- nos a procurar satisfação pessoal na direção errada. Hoje, mais de 40 anos depois, sabemos que os casamentos abertos, o orgasmo múltiplo e os vibradores não contribuem para a felicidade. Conseguimos perceber mais claramente a chamada exploração do sexo praticada pelos meios de comunicação em massa. Também conseguimos julgar melhor o abismo existente entre o sexo livre para todos prometido pela revolução sexual e a realidade opaca do nosso quarto de dormir. Em outras palavras: estamos mais aptos a olhar com mais profundidade e enxergar mais longe.

Uma pesquisa realizada no ano de 2004, que fez parte de nossa dissertação
[iii], ficou constatado que ainda é grande a resistência do uso de material erótico entre as mulheres evangélicas. Das cerca de 400 mulheres entrevistadas de 5 denominações religiosas, quanto ao uso de material erótico e pornográfico para incrementar a relação do casal a posição foi de rejeição, destacando-se as adventistas como as que apresentam maior índice de rejeição total 55,4% das entrevistadas e somente 5,4% a favor. Também se pode perceber que entre as assembleianas 18,7% e presbiterianas 22,1% ocorreu a maior aceitação total para o uso deste material.

De um jeito ou de outro, a verdade a ser comprovada que é dificilmente as práticas sexuais entre os evangélicos não se deixam influenciar pelos novos parâmetros impostos pelo secularismo pós-moderno. Estabelecer um meio termo, uma posição equilibrada, torna-se cada vez mais difícil. É fundamental a introdução destes temas em círculos de discussões mais rotineiras em nossas igrejas, na busca de comportamentos coerentes pautados em princípios salutares e não em extremismos repressores ou liberdades irrefletidas.





[i] Fonte: http://www.terra.com.br/mulher/sexo/2004/07/13/000.htm
[ii] FEUERSTEIN, G. A Sexualidade Sagrada. São Paulo, Siciliano, 1995

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